segunda-feira, 13 de julho de 2020

Minha querida Sputnik - Haruki Murakami [Resenha]

A primeira vez que li esse livro foi em 2013. Na época mantinha um blog e navegando pela internet li recomendação sobre o autor. Dentre vários títulos, escolhi esse para iniciar.
Reli-o, já que vou escrever sobre ele.


Arquivo pessoal

Lembro que em minha primeira leitura ao final fiquei, não sei se com reticências, ou interrogação. Acho que fiquei foi no vácuo.
Não falarei sobre isso porque não vou dar spoiler. Mas essa era a maior lembrança quando pensava nesse livro.

Nessa segunda leitura meu ritmo estava mais lento, o que permitiu-me atentar-me mais para os pormenores da obra, observar calmamente os sinais, embora essa seja uma leitura basicamente fluida, não sendo daquelas histórias maçantes que te exigem grandes esforços.
A não ser pelo fato de que, ao menos assim foi para mim, demorou um tempo para de fato engrenar, tendo acontecido lá pelo meio do livro. Fui arrastando a leitura; lembro que na primeira, várias vezes pensei em abandonar.
O que me fez insistir nessa história foi querer entender a correlação Sputnik e as personagens. E o que me levou à época dizer que gostei do livro foi justamente pelo impacto ao final.

Afora isso, é daquelas leituras que você pode fazer de forma descompromissada (e perder), ou pausada para ler seus pormenores.
Porque há livros que exigem de nós leitura vagarosa, que é para que se consiga compreender a narrativa (né, Dostoiévski! Ainda termino você!).

A história é sobre um triângulo afetivo (que se concretiza ou não, terá que ler para conferir!) narrada por K. amigo apaixonado por Sumire – aspirante a escritora -, que se apaixona por Miu, uma mulher casada e 17 anos mais velha.

Você não tem como saber se tudo o que K diz realmente aconteceu, ou o que de fato aconteceu, já que tudo é pelo seu olhar.
“É claro que esta história é sobre Sumire, não sobre mim. Porém, é através dos meus olhos que a história é contada”.
Ele mesmo nos alerta!

Murakami põe um quê de fantasia. Houve momentos em que fiquei sem saber se tudo não passava de um sonho das personagens. Ou se elas mesmas não eram fruto de uma história ficcional do narrador. Ficção dentro de ficção. Um realismo mágico, surrealismo. Sei lá. Posso estar viajando...

“Qualquer explicação ou lógica que explique tudo tão facilmente esconde uma armadilha. Falo por experiência própria. (...) O que quero dizer é que não tire conclusões precipitadas.”

Chamou-me a atenção a relação de Sumire com a figura da mãe, falecida quando era criança. Mas como não vou estender o texto a ponto de fazer uma análise crítica, paro por aqui.

K narra as histórias dentro da história. Há um tempo para cada uma das personagens. E há também passagens que me incomodaram bastante, a ponto de me deixar desconfortável.
Nem tudo me agradou. Mas não passei incólume por sua leitura.

“fiquei impressionada com a maneira como as coisas que vemos nem sempre são fieis à realidade”, já disse Miu.

Certamente ao lê-lo de forma mais atenta, talvez consiga se prender na escrita de Murakami. Assim foi para mim nessa releitura.


Afinal, “o que importa é ser atento. Permanecer calmo, alerta às coisas à sua volta”. Talvez isso ajude na leitura.
 
Ficou interessado em ler o livro? Está disponível na Amazon: Minha Querida Sputnik.
Link de afiliados.
*
*
Título: Minha querida Sputnik
Autor: Haruki Murakami

sábado, 8 de junho de 2019

Das incoerências...

“Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas de um raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser um D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dar de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa”.
 Florbela Espanca