A primeira vez que li
esse livro foi em 2013. Na época mantinha um blog e navegando pela internet li
recomendação sobre o autor. Dentre vários títulos, escolhi esse para iniciar.
Reli-o, já que vou
escrever sobre ele.
Lembro que em minha
primeira leitura ao final fiquei, não sei se com reticências, ou interrogação. Acho
que fiquei foi no vácuo.
Não falarei sobre
isso porque não vou dar spoiler. Mas essa era a maior lembrança quando pensava
nesse livro.
Nessa segunda leitura
meu ritmo estava mais lento, o que permitiu-me atentar-me mais para os
pormenores da obra, observar calmamente os sinais, embora essa seja uma leitura
basicamente fluida, não sendo daquelas histórias maçantes que te exigem grandes
esforços.
A não ser pelo fato
de que, ao menos assim foi para mim, demorou um tempo para de fato engrenar,
tendo acontecido lá pelo meio do livro. Fui arrastando a leitura; lembro que na
primeira, várias vezes pensei em abandonar.
O que me fez insistir
nessa história foi querer entender a correlação Sputnik e as personagens. E o
que me levou à época dizer que gostei do livro foi justamente pelo impacto ao final.
Afora isso, é
daquelas leituras que você pode fazer de forma descompromissada (e perder), ou
pausada para ler seus pormenores.
Porque há livros que
exigem de nós leitura vagarosa, que é para que se consiga compreender a narrativa
(né, Dostoiévski! Ainda termino você!).
A história é sobre um
triângulo afetivo (que se concretiza ou não, terá que ler para conferir!) narrada
por K. amigo apaixonado por Sumire – aspirante a escritora -, que se apaixona
por Miu, uma mulher casada e 17 anos mais velha.
Você não tem como
saber se tudo o que K diz realmente aconteceu, ou o que de fato aconteceu, já
que tudo é pelo seu olhar.
“É claro que esta história é sobre Sumire, não sobre mim. Porém, é através dos meus olhos que a história é contada”.
Ele mesmo nos alerta!
Murakami põe um quê
de fantasia. Houve momentos em que fiquei sem saber se tudo não passava de um
sonho das personagens. Ou se elas mesmas não eram fruto de uma história
ficcional do narrador. Ficção dentro de ficção. Um realismo mágico,
surrealismo. Sei lá. Posso estar viajando...
“Qualquer explicação ou lógica que explique tudo tão facilmente esconde uma armadilha. Falo por experiência própria. (...) O que quero dizer é que não tire conclusões precipitadas.”
Chamou-me a atenção a
relação de Sumire com a figura da mãe, falecida quando era criança. Mas como
não vou estender o texto a ponto de fazer uma análise crítica, paro por aqui.
K narra as histórias
dentro da história. Há um tempo para cada uma das personagens. E há também
passagens que me incomodaram bastante, a ponto de me deixar desconfortável.
Nem tudo me agradou.
Mas não passei incólume por sua leitura.
“fiquei impressionada com a maneira como as coisas que vemos nem sempre são fieis à realidade”, já disse Miu.
Certamente ao lê-lo
de forma mais atenta, talvez consiga se prender na escrita de Murakami. Assim foi
para mim nessa releitura.
Afinal, “o que importa é ser
atento. Permanecer calmo, alerta às coisas à sua volta”. Talvez isso ajude na
leitura.
*
*
Título: Minha querida Sputnik
Autor: Haruki Murakami