Bela de coração, que só deseja o bem.

"Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive." Fernando Pessoa
Sabe quando seu coração vai ficando apertadinho, como se ele fosse encolhendo sobre si mesmo, e junto com essa sensação ainda vem um certo vazio, uma falta de preenchimento, como se agora, no lugar dele houvesse nada mais que espaços em vão? Não fosse por ele ali, no cantinho, sozinho, pequenino e amedrontado, esse espaço fosse maior do que o é agora. Mas mesmo assim, para você ele é tão grande, tão grande, que te ultrapassa, e aí você se sente pequenina dentro de si mesma, dentro desse espaço vazio que há em seu interior, como um pequeno grão de areia na imensidão desse mundo. Dá um aperto no peito, de dar uma dor que dói, sem doer.
A imagem veio daqui.
Há muito que se acostumara com a rotina. Seus dias eram cinzentos. Todos iguais. Sempre as mesmas coisas. E outros tantos pleonasmos mais. Já não esperava pelo diferente. Sequer imaginava que qualquer coisa poderia ser o que até então não o tinha sido. Dizem que a gente se acostuma com tudo nessa vida. Acostumada estava com tudo sempre no mesmo lugar. Com tudo do mesmo jeito.
Até que um insistente raio de sol, pela fresta dos contornos do dia, encorajou-se a entrar onde era o que poderíamos denominar como seu mundo particular. No início duvidou. Será que é o que estou pensando? Vendo? Imaginando? Não, não tenho tempo para me dar ao luxo de contemplar...
Mas era sim. Era exatamente o que estava vendo! Não estava imaginando. Era tudo real. E era diferente do que já se habituara. Talvez por isso, tenha ficado instigada a olhar. Teve receios. Claro que os teve. Mas a curiosidade foi maior.
Resolveu que permitiria por si mesma, que abriria mais frestas para que a incidência dos raios pudesse ser maior. Não claro, sem ter ao menos um dos pés atrás. É para não perder o costume.
Quem sabe seja o início para que permita que seus dias voltem a ser belos, com seus jardins floridos, tendo por visitantes borboletas e beija flores, e que o céu esteja muito azul, de um azul anil, com suas gordas nuvens brancas de algodão doce, numa representação de beleza como a vida é.
Basta apenas que se permita.
O que acontecerá a seguir? De repente uma saudade doída do que já foi. Como se um filme passasse apenas para si mesma, daqueles instantes que hoje existem apenas na memória. Sim, por mais que insistam em voltar para o presente ou projetar-se para o futuro, não passam de lembranças.
Se pudesse voltaria no tempo. Não modificaria nada. Apenas viveria com mais intensidade.
O filme? Ainda está em cartaz.