quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Serenata.

Cecília Meireles.

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

Palavra Encantada.

http://tvig.ig.com.br/Templates/Player.aspx?id=29231&video=palavra-encantada


É apenas o trailer de um documentário Brasileiro.

"As relações entre a literatura e a música brasileira são apresentadas no documentário por meio de entrevistas com artistas brasileiros, que falam sobre seus livros e autores preferidos, cantando e declamando trechos de músicas, que são relevantes no processo de inspiração.

Entre os entrevistados, estão Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Black Alien, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, Zé Celso, José Miguel Wisnik, Lenine, Lirinha, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo Cesar Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan."

(Palavra encantada) Brasil, 2008. Direção: Helena Solberg. Produtor:David Meyer, Marcio Debellian. Duração: 83 min.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O Teatro da Vida.

"O mundo é um palco, e homens e mulheres, não mais que meros atores. Entram e saem de cena e durante a sua vida não fazem mais do que desempenhar alguns papéis."
William Shakespeare

domingo, 12 de outubro de 2008

12 de Outubro.





Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. É claro que não podia deixar a data de hoje passar incólume, eu tinha que vir tecer meus comentários e homenageá-la.

Nunca comentei aqui sobre questões religiosas. Pois bem, faço-o por ora.

Fui batizada na Igreja Católica. Durante algum tempo ainda em minha vida, frequentei missas. Não fiz a Crisma. E olha que não foi por falta de "incentivo" do padre Sérgio - um francês que veio para o Brasil e que hoje está em algum lugar de São Paulo. [Padre, sinto saudades...]

Bem, frequentava, mas não era assídua. Não sei explicar, mas eu não me sentia ligada, enraizada. Não que esteja com isso querendo criticar! Muito pelo contrário. Verão à medida que for escrevendo aqui.

Sempre gostei de ler horóscopo e afins. Me lembro de minha adolescência, quando ainda existia uma revista da editora globo, Destino, era de lei, todo mês lá ia eu para a banca. Devia ter uns 11, 12 anos nessa época. E claro, não podia faltar, críticas de 'amiguinhas' "você é doida? Deus vai te castigar! É pecado ler horóscopo!". Passei muito tempo de minha vida me sentindo uma herege. "Meus Deus, mas eu não quero ir para o inferno!". Mas faltava-me "coragem" para sequer perguntar a algum padre sobre isso.

Até que, já com meus 20 anos, fazendo faculdade, eis que me veio uma luz. Estudei na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Precisa falar mais? Mas eu vou falar. Estava no “lugar” certo. Porque lá temos que fazer – e no meu caso foram 2 períodos – Cultura Religiosa, matéria que é dada por Padres. Tive a sorte de ter como professor um Padre “mente aberta” – Ulisses é seu nome. Ele deu um trabalho para nós, onde ele dividiu a turma em grupos e designou a cada um que pesquisasse sobre as várias correntes religiosas existentes no mundo. [Parece uma coisa! O meu grupo ficou justamente com o Catolicismo.]. E após a apresentação do grupo que ficou responsável para falar sobre Cabala, eu e um grupo de alunos procuramos por Ulisses para conversarmos a respeito. Foi aí que tive um insight. Na verdade, ele literalmente me disse coisas que me levaram a acreditar que eu “não irei para o inferno” apenas por me interessar por horóscopo. [Mas não quero aqui entrar em detalhes de nossa conversa...]

Neste mesmo tempo conheci o padre Sérgio, com quem tive longas conversas sobre Deus e Nossa Senhora Aparecida. A partir dali, vi claramente que eu não conseguia era pura e simplesmente seguir os Dogmas (de que religião fosse) sem alguns questionamentos e tendo por vezes parte deles sem respostas ou com respostas como as das minhas 'coleguinhas' (crianças...).

Mas nem por isso deixei de ter Fé. Muito pelo contrário. Já fui de pronto atendida por esta que é nossa padroeira e dona deste dia, Nossa Senhora Aparecida! (Não posso me esquecer também de Santo Expedito! Mas o dia dele é outro e fica para outro post).

Hoje tenho clareza que minha Fé independe de qual corrente religiosa eu siga. Ela na verdade parte de dentro de mim. O milagre da vida, as pequenas coisas do dia-a-dia, os pequenos gestos e momentos, tudo isso e muitas outras coisas me fazem acreditar em Deus, em Nossa Mãe, em Jesus!

Nossa Senhora Aparecida, obrigada pelos milagres que operastes em minha vida, intercedendo junto a Deus Pai! Obrigada!

E felizes os que celebram o dia de hoje, pelo simples fato de sua Fé, conseguindo desvencilhar-se dos apelos Capitalistas.

Amém.

sábado, 11 de outubro de 2008

Fernando Sabino.

Hoje é aniversário de morte deste escritor mineiro.

Nasc. 12/10/1923
Morte. 11/10/2004


Abaixo pus uma crônica dele. Gosto bastante.

Como nasce uma história.

Fernando Sabino

Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar. Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.

— Sétimo — pedi.

Eu estava sendo aguardado no auditório, onde faria uma palestra. Eram as secretárias daquela companhia que celebravam o Dia da Secretária e que, desvanecedoramente para mim, haviam-me incluído entre as celebrações.

A porta se fechou e começamos a subir. Minha atenção se fixou num aviso que dizia:

É expressamente proibido os funcionários, no ato da subida, utilizarem os elevadores para descerem.

Desde o meu tempo de ginásio sei que se trata de problema complicado, este do infinito pessoal. Prevaleciam então duas regras mestras que deveriam ser rigorosamente obedecidas, quando se tratava do uso deste traiçoeiro tempo de verbo. O diabo é que as duas não se complementavam: ao contrário, em certos casos francamente se contradiziam. Uma afirmava que o sujeito, sendo o mesmo, impedia que o verbo se flexionasse. Da outra infelizmente já não me lembrava. Bastava a primeira para me assegurar de que, no caso, havia um clamoroso erro de concordância.

Mas não foi o emprego pouco castiço do infinito pessoal que me intrigou no tal aviso: foi estar ele concebido de maneira chocante aos delicados ouvidos de um escritor que se preza.

Ah, aquela cozinheira a que se refere García Márquez, que tinha redação própria! Quantas vezes clamei, como ele, por alguém que me pudesse valer nos momentos de aperto, qual seja o de redigir um telegrama de felicitações. Ou um simples aviso como este:

É expressamente proibido os funcionários...

Eu já começaria por tropeçar na regência, teria de consultar o dicionário de verbos e regimes: não seria aos funcionários? E nem chegaria a contestar a validade de uma proibição cujo aviso se localizava dentro do elevador e não do lado de fora: só seria lido pelos funcionários que já houvessem entrado e portanto incorrido na proibição de pretender descer quando o elevador estivesse subindo. Contestaria antes a maneira ambígua pela qual isto era expresso:

. . . no ato da subida, utilizarem os elevadores para descerem.

Qualquer um, não sendo irremediavelmente burro, entenderia o que se pretende dizer neste aviso. Pois um tijolo de burrice me baixou na compreensão, fazendo com que eu ficasse revirando a frase na cabeça: descerem, no ato da subida? Que quer dizer isto? E buscava uma forma simples e correta de formular a proibição:

É proibido subir para depois descer.

É proibido subir no elevador com intenção de descer.

É proibido ficar no elevador com intenção de descer, quando ele estiver subindo.

Descer quando estiver subindo! Que coisa difícil, meu Deus. Quem quiser que experimente, para ver só. Tem de ser bem simples:

Se quiser descer, não torne o elevador que esteja subindo.

Mais simples ainda:

Se quiser descer, só tome o elevador que estiver descendo.

De tanta simplicidade, atingi a síntese perfeita do que Nelson Rodrigues chamava de óbvio ululante, ou seja, a enunciação de algo que não quer dizer absolutamente nada:

Se quiser descer, não suba.

Tinha de me reconhecer derrotado, o que era vergonhoso para um escritor.

Foi quando me dei conta de que o elevador havia passado do sétimo andar, a que me destinava, já estávamos pelas alturas do décimo terceiro.

— Pedi o sétimo, o senhor não parou! — reclamei.

O ascensorista protestou:

— Fiquei parado um tempão, o senhor não desceu.

Os outros passageiros riram:

— Ele parou sim. Você estava aí distraído.

— Falei três vezes, sétimo! sétimo! sétimo!, e o senhor nem se mexeu — reafirmou o ascensorista.

— Estava lendo isto aqui — respondi idiotamente, apontando o aviso.

Ele abriu a porta do décimo quarto, os demais passageiros saíram.

— Convém o senhor sair também e descer noutro elevador. A não ser que queira ir até o último andar e na volta descer parando até o sétimo.

— Não é proibido descer no que está subindo?

Ele riu:

— Então desce num que está descendo.

— Este vai subir mais? — protestei: — Lá embaixo está escrito que este elevador vem só até o décimo quarto.

— Para subir. Para descer, sobe até o último.

— Para descer sobe?

Eu me sentia um completo mentecapto. Saltei ali mesmo, como ele sugeria. Seguindo seu conselho, pressionei o botão, passando a aguardar um elevador que estivesse descendo.

Que tardou, e muito. Quando finalmente chegou, só reparei que era o mesmo pela cara do ascensorista, recebendo-me a rir:

— O senhor ainda está por aqui?

E fomos descendo, com parada em andar por andar. Cheguei ao auditório com 15 minutos de atraso. Ao fim da palestra, as moças me fizeram perguntas, e uma delas quis saber como nascem as minhas histórias. Comecei a contar:

— Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar. Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.


Extraída do livro "A Volta Por Cima", Editora Record - Rio de Janeiro, 1990, pág. 137.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Um poema para refletir.

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Adélia Prado.

A conheci na faculdade, através da professora de Teoria da Literatura, quando esta nos designou fazer um trabalho de análise literária sobre poemas - de Adélia - escolhidos por ela aleatória e individualmente.

Adélia fala das coisas simples, de forma simples e ao mesmo tempo com uma riqueza e profundidade de ensinamento incríveis. É assim que a vejo e é por isso que hoje resolvi colocar aqui este poema, que sintetiza o que penso acerca de sua literatura.

O Mundo de Sofia.


Em Janeiro de 2006, numa promoção de um dado site, que já nem existe mais, ganhei o livro O Mundo de Sofia - Romance da História da Filosofia, de Jostein Gaarder. Mas nunca me pus a aventurar em sua leitura.

Há duas semanas atrás, determinei a mim mesma que devo lê-lo ainda este ano! (Senão fará outro aniversário...).

Sempre tive interesse em saber mais do que nos é dito sobre filosofia quando estudamos. Ainda estou nas primeiras 100 páginas do livro (o mesmo tem umas 500 e poucas), e estou achando interessante. Outro dia (na verdade noite, porque apenas o leio antes de me deitar) me peguei literalmente viajando pela história, quando é relatada a visita da personagem Sofia e de sua amiga Jorunn a uma cabana que sua mãe afirma ser "abandonada". Enquanto durou aquela minha leitura, eu simplesmente me desliguei do resto e passei a "sentir" o instante das personagens! Confesso que estou louca para chegar até o final e saber qual a "descoberta" de Sofia! (Vale ressaltar que a história dela é mais um pano de fundo para tratar de filosofia. Ou seria o contrário?...). Alguém podia me responder...


Sinopse:

Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo em que se vive. Os postais foram mandados do Líbano, por um major desconhecido, para uma tal de Hilde Knag, jovem que Sofia desconhece. O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste romance, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países em que foi lançado. De capítulo em capítulo, de 'lição' em 'lição', o leitor é convidado a trilhar toda a história da filosofia ocidental - dos pré-socráticos aos pós-modernos -, ao mesmo tempo em que se vê envolvido por um intrigante thriller que toma um rumo muito surpreendente.


"A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (...) E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá?... Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente."



domingo, 5 de outubro de 2008

Seminário.

Ontem fui ao 3° seminário de práticas escolares da FDG.

Gostei muito da palestra da Lya Luft. Por um instante achei que as pessoas presentes (com exceção de mim) a repreenderiam quando ela emitiu opinião sobre o que acha da educação. Ela disse que temos que exigir mais de nossas crianças e jovens, temos que mostrá-los que a vida não é lúdica, e sim dura - que a hora de brincar é a do recreio. Disse isso em contrapartida ao que foi dito por vários participantes antes dela, que insistem em dizer que temos que "transformar" nossas aulas, torná-las mais interessantes... enfim... todo um discurso que não concordo. Como disse, se não me engano foi Rubem Alves, que "não existe aprendizado sem dor".

Apreciei também Augusto Cury. Nunca havia lido um livro sequer. Sou meio crítica quanto a livros de auto-ajuda e afins. Sou daquele tipo "ah, eu já sei disso". Mas não ponho na prática.

Naquele instante, porém, muito do que ele disse caiu como uma luva para mim. Então, não resisti e comprei não um, mas dois livros dele, e, claro, não pude vir sem antes pedi-lo que os autografasse.... bem.

Valeu a pena as 12h que passei no sábado, finalizando todo o evento com um belo show de Paulinho Pedra Azul.

A vida é assim... Temos que aproveitá-la... Aprendermos sempre!
Até breve...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

De Encontro com o Amor.


Ainda falando sobre cinema... Gosto muito de assitir filmes, apesar de fazê-lo pouco.

Mas hoje resolvi ir à locadora procurar por algo que naquele momento me chamasse a atenção. Escolhi De encontro com o amor.

Sinopse:

Jeremy Taylor (Joshua Jackson) é um jovem escritor que está à procura de seu ídolo, Weldon Parish (Harvey Keitel). Parish vive atualmente recluso, decisão que tomou após passar por um grave bloqueio criativo. Jeremy consegue encontrá-lo no interior da Itália e, após uma resistência inicial, consegue se aproximar e tornar-se seu amigo. Parish passa então a lhe dar ensinamentos para que possa lapidar seu talento, ao mesmo tempo em que Jeremy se apaixona por Isabella (Claire Forlani), filha de seu mestre.

Gostei muito do filme. Trás uma mensagem muito positiva para os dias corridos em que vivemos, onde abdicamos de nossos sonhos e desejos e vivemos apenas em função do capitalismo selvagem.



"Todos precisam de um pouco de loucura; é o que nos livra da dor deste mundo."

Mamma Mia.


Ontem fui ao cinema assistir o filme Mamma Mia. Adorei, dei boas risadas.

É um filme leve, alto-astral, que te faz desligar do mundo à volta. Dá até vontade de sair dançando junto com as personagens.

Ah, para inteirar mais: é baseado num musical montado há tempos (não sei quantos) atrás.

Vale a pena ver.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Vontade de...




Camille Pissarro
... estar num lugar assim... vontade de descansar minha alma...