segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Memória e o Tempo II

O que acontecerá a seguir? De repente uma saudade doída do que já foi. Como se um filme passasse apenas para si mesma, daqueles instantes que hoje existem apenas na memória. Sim, por mais que insistam em voltar para o presente ou projetar-se para o futuro, não passam de lembranças.

Se pudesse voltaria no tempo. Não modificaria nada. Apenas viveria com mais intensidade.

O filme? Ainda está em cartaz.

sábado, 27 de junho de 2009

A Memória e o Tempo

As lembranças guardadas pela memória no fio do tempo de repente se cansaram de ficar só no passado e insistiram em retornar ao presente. Não satisfeitas, tentam projetar-se para o futuro, numa tentativa de iludir quem antes as havia guardado. Numa representação bela do incansável e infinito círculo da vida, girando como um carrossel. O que acontecerá a seguir?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

... E no final

Adeus,
Michael.



Da crítica ao alheio.

Não, eu não poderia deixar passar um dia sem vir aqui.

Sei que há muita coisa inútil nessa tal blogosfera. Sei também que há muita coisa boa, excelente e sinônimos afins em contrapartida. Mas se tem algo que me irrita profundamente, são pessoas que criticam e acham que o que elas fazem seja melhor. No caso, ter um blog, por exemplo.

Assim como ela diz que se irrita com o que vê/lê no blog alheio, nós outros podemos dizer o mesmo sobre o que ela escreve.

Tem coisa pior do que aquele pára-quedista (sim, de novo) que vem ao seu blog, não fica nem um minuto e depois põe um post no próprio blog dizendo que não concorda com a forma que você (e outros) faz(em) no seu(s) blog(s)?

Valha-me santa paciência!!!

Ninguém é obrigado a gostar de poesia, como eu gosto. Assim como não sou obrigada a ler insultos em outros blogs que ofendam a mim e às pessoas que tenham gostos em comum aos meus.

Ah, quer saber, vou parar por aqui!

Mas que fique registrado aqui minha indignação! Afinal, cada um é livre para fazer o que quiser. Cabe a mim selecionar o que quero ver/ler. Mas não me dá o direito de criticar o Joãozinho ou a Maria, por postarem coisas que para eles sejam relevantes. Se não o são para mim, então irei ler o blog do Pedrinho, por exemplo. Mas nunca, em hipótese alguma, criticarei aos outros dois por seus conteúdos.

Liberdade de expressão sim! Falta de respeito não!

Publicidade de Blogs e a troca de Links

Ultimamente tenho navegado com mais frequência na net e com isso encontrado/descoberto mais blogs.

Tenho lido também sobre diversas discussões em cada um deles. Diversas porque os assuntos que procuro durante minhas navegações também são diversos. Enfim...

E um dos assuntos que me chamou a atenção é sobre a publicidade dos blogs. Falar que quem tem um blog não quer ter visibilidade é o mesmo que dizer que um artista não quer reconhecimento pelo seu trabalho. Claro que todos querem ser lidos. Claro que todos querem ter um número fiel de visitantes e ganhar os pára-quedistas. E com isso, cada um parte para uma forma ou para várias formas de conquistar leitores. Por mais que se crie um blog de diário simplesmente, onde seu desejo seja apenas publicar o que te aconteceu num dado dia, ainda assim você tem o mesmo desejo! A não ser que vá em configurações e estabeleça que apenas tu podes ler teu próprio blog!

Uma dessas formas é a troca de links, ou de banners, onde blogueiros mutuamente se promovem, fazendo propaganda um do outro. Até aí, nada de mais.

A questão é que me pus a pensar sobre o assunto. Já tem um tempo que mantenho em meu blog, uma lista dos que gosto de acompanhar, antes mesmo de ter o gadget do google com a ferramenta de "seguidores". Novamente, até aqui, nada de mais.

Mas, porém, contudo, entretanto, todavia (para ser redundantemente enfática) eis que nessa semana a minha ficha caiu! E percebi que estou aqui fazendo publicidade para outros blogs pura e simplesmente!

É justo; não é justo. Não sei! Só sei que são blogs que fui descobrindo em minha cruzada pelo mundo virtual, e que de uma forma ou de outra me chamaram a atenção e quis deixá-los em minha página, inclusive com suas atualizações, para que não somente eu os visse mais facilmente enquanto navego pelo meu próprio blog, mas para que os (poucos) leitores que por aqui caem de seus pára-quedas (não vou discutir sobre esse assunto)** também o pudessem.

Sei que alguém (quem?) poderá "gritar" "ei!! você tem a ferramenta do Feed!". Ok, ok, sei disso.

Confesso que por instantes tive vontade de apagar todos da minha lista... Mas decidi que ainda não o farei por ora. O primeiro motivo é simplesmente porque gosto de lê-los.

Sei que é meio difícil, mas gostaria muito de discutir (com quem?) esse assunto. Mas enquanto não seja possível, continuarei pensando sobre...


Notas: * sei do acordo ortográfico da língua portuguesa - imagina, uma graduada em Letras não saber! - mas ainda me dou o direito de escrever desconsiderando-o. ** perdoem-me caso se ofendam com o termo aqui descrito. Mas como disse, não vou discutí-lo. (as ferramentas me provam).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sonho...

António Gedeão


Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O Adolescente

Mário Quintana

A vida é tão bela que chega a dar medo.

Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita,
mas

esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz
o jovem felino seguir para frente farejando o vento
ao sair, a primeira vez, da gruta.

Medo que ofusca: luz!

Cumplicemente,
as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo:

Adolescente, olha! A vida é nova...
A vida é nova e anda nua
- vestida apenas com o teu desejo!

domingo, 21 de junho de 2009

Marcos Assumpção e Florbela Espanca

Notícia:

"Os versos tristes e inconformados de Florbela Espanca ganharam versão musicada do violonista e compositor Marcos Assumpção. Com o CD A Flor de Florbela, ele traduz em melodias sentimentos cotidianos, descritos pela escritora portuguesa, que nasceu em 1894 e foi uma das precursoras do feminismo em seu país. Irrequieta, a poetisa foi a primeira mulher a frequentar curso de direito na Universidade de Lisboa e deixou como legado obra intensa. 'Ela falava de perdas, dor, esperança, tristeza, amores desfeitos e desejos. Achei na literatura dela uma forte relação com o que gosto de escrever e cantar', afirma o músico sobre o projeto que começou a tomar
forma há três anos."


Publicada no Jornal Estado de Minas, Caderno EM Cultura, em 21 de junho de 2009, p.6., por Janaína Cunha de Melo.

sábado, 20 de junho de 2009

O Tempo da Nossa Vida

Sábado à noite, nenhum compromisso, resolvo ficar em casa. Afazeres há aos montes. Mas resolvo dar um tempo neles e assitir a um pouco de televisão. Não é coisa comum. Não gosto muito dos programas, mas enfim... Às vezes é bom ficar "por conta do nada".

Acabei assistindo a novela das 9 (antigamente era das 8) - Caminho das Índias. A cena era a de Sr. Cadori - personagem de Elias Gleizer - dizendo ao filho Ramiro - personagem de Humberto Martins - que irá se casar com um antigo amor, dona Cidinha - personagem de Eva Todor. O que me chamou atenção não foi simplesmente o amor na terceira idade. Não. Mas o argumento, a fala que Cadori usou para justificar, se é que ele tinha que fazer isso, ao filho porque deve se casar:

"O tempo da gente só acaba quando a gente acaba também."

Pode não ser nenhuma fala "poética por demais", mas dá para tecer muito a partir do significado que ela representa. Quantas pessoas se deixam levar pelos obstáculos da vida, inclusive o obstáculo do tempo, pura e simplesmente com a desculpa de que não dá mais, não tenho mais idade para isso, etc., etc...

Pessoas não se permitem viver a vida com tudo de mais belo que ela traz. Não se permitem ser felizes. Enterram-se vivas.

Viver é perigoso. Já dizia o poeta**. Mas nem por isso temos que deixá-la simplesmente passar e esquecermos de nós mesmos. Dos nossos desejos. Dos nossos anseios.

Devemos ser como as crianças. Que sabem o que querem. Lutam pelo que acreditam. São singelas em suas feições. Sinceras consigo mesmas. Não traem seus sentimentos. Podem ter medos, sim, e são muitos. Medo do escuro, por exemplo. Mas ela sabe que tem alguém para cuidar dela. Que não estará sozinha. Ela se permite viver. Até o medo! Mas nem isso a faz parar. Sua curiosidade pela vida é muito maior! E depois daquele afago, naquele momento que suplicou pela ajuda, a sensação é muito melhor. E ela sabe que não precisa mais ter medo.

Algumas pessoas tem medo de viver. Constróem muros aos arredores de si mesmas, com os pré-conceitos que vão acumulando pela vida afora, e vão perdendo o brilho nos olhos que antes havia, perdem também a capacidade de se encantarem pelo simples.

Enquanto houver vida, tem que haver esperança!!!


** Quem disse foi Guimarães Rosa.

Imagem tirada daqui.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Da vontade (angústia) de Escrever

Tenho que expor o que estou pensando hoje. Sei lá. Sei que este mês, como há muito não fazia, estou escrevendo aqui com maior frequência. Mas estou angustiada com essa coisa de postar algo.

Explicando melhor...

É que estou sentindo vontade de escrever. Mas não estou conseguindo me expressar. Compreende? Essa é uma dificuldade que me acompanha desde sempre. Penso muito. Sobre vários assuntos. Uma miscelânea só. Mas na hora de por tudo no papel - ops, na tela aqui - simplesmente não sai.

Às vezes penso se escritores em geral tenham também essa dificuldade ou se o "santo da expressão escrita" lhes bate e pronto.

Falando nisso, ontem vi no Sem Censura a entrevista de Nando Reis. Ele comentou que escreve melhor quando está apaixonado. Achei interessante e me pus - pra variar - a pensar sobre isso. Talvez tenha até contribuído para aumentar minha vontade de escrever.

Aí percebi uma coisa: na maioria das vezes que realmente me ponho a escrever, não artigos, nada sério, mas quando me ponho nas tentativas de escrever algo mais "literário", geralmente estou mais para angustiada que apaixonada. Ressalto que para mim esse apaixonada não precisa necessariamente ser por alguém! Pode ser por algo, por algum projeto, idéia, ou simplesmente paixão pela vida!

Então comecei a me questionar, e com isso, aumentou a angústia... Por que razão não posso escrever algo que realmente valha, que seja alto astral, que faça ganhar o dia ou qualquer coisa do tipo? Sei lá. Não entendo.

Só sei que por ora, estou aliviando minha ansiedade de escrever...

Se serve para melhorar, hoje é sexta-feira. Gosto de fim de semana. E gosto de Nando Reis.


Ilustração tirada daqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mundo Tempo Vida

Dizem que o mundo dá voltas. E que o que um dia foi, voltará. O que hoje está, um dia irá.

Acho que descobri como o mundo faz para dar voltas. E como faz com as coisas. Também com as pessoas.

Hiato.

Vácuo.

Lacuna.

O nome, fique a seu critério. No caso, o nomear o intervalo de tempo entre uma coisa e outra. Viu, já dei outro nome.

É tudo questão de tempo. E a medida do tempo não é a mesma medida que damos a ele. Não. Ele tem sua própria medida. Alguns podem achar muito, outros pouco. Depende. Depende do quão se está envolvido na espera do que a vida trará após as voltas que o mundo der.

Será algo bom?

Será algo que me trará medo?

Se for começar a fazer perguntas, talvez não haja tempo que me baste. Sou curiosa. Tudo quero saber. Tudo é o que apenas me interessa. Ou melhor, esse tudo está apenas compreendido dentro do que me interessa. Porque fora dele, é o nada.

Mas dessa vez não houve o nada. Estranheza. A vida, após o seu tempo, trouxe de volta coisas que outrora levara, quando das voltas do mundo.

Como se nada houvesse acontecido.

Vi. Sim, eu vi. A vida realmente dá voltas, com as voltas que o mundo dá.


Colagem retirada daqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dia dos Namorados

Como não podia deixar passar totalmente em branco a data de hoje (tenho também minha razão para tal, mas é segredo... só posso garantir que não tem nada a ver com namorados e afins...), colo aqui uma ilustração de Felipe, que encontrei pelas minhas andanças no mundo Net. Para mim ela representa tudo o que quis escrever. É, saiba que desde 3ª feira tenho tentado escrever um texto sobre o que penso do dia dos Namorados, dos Namoros de hoje em dia, e tal... Mas não tenho tido como. Idéias tenho. Não consegui foi po-las no papel. E como Felipe ilustrou perfeitamente, ponho-a aqui! Com créditos, é claro!!!

Feliz dia dos Namorados para os Enamorados!!!

P.s.: Entenda-se que aqui não estou querendo dizer apenas para quem encontrou a tampa da sua panela, a metade da sua laranja, a sua cara metade, a sua alma gêmea, etc... Podemos perfeitamente estarmos Enamorados sem ser por alguém especificamente! Podemos viver Enamorados simplesmente pela arte de viver a vida! Com tudo de belo que ela abarca!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sobre o Blog da Petrobrás

Como este é um blog que compreende um pouco de tudo. E como sou uma pessoa que primo pela informação e pelas boas notícias também, novamente cito o blog O Biscoito Fino e a Massa, com uma notícia que acho importante a todos lerem, afinal, diz respeito a nós, ou melhor, ao que "querem que chegue até nós".  

sábado, 6 de junho de 2009

Consideração

sf. 1 - Ato ou efeito de considerar. 2 - Importância dada a alguém; respeito, deferência, reverência, apreço.
(In: Mini Aurélio, Ed. Nova Fronteira, 2001)


Eu sinceramente não sei como ainda consigo me espantar com a falta de consideração que as pessoas tem umas pelas outras! Espanto-me comigo mesma por espantar-me com isso!

Não, por mais que eu tente descrever o quanto estou estarrecida hoje, palavras e palavras, por mais que as procure no dicionário, não serão suficientes.

É melhor me calar.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Das (Faltas das) Qualidades Humanas

Me irrita profundamente a hipocrisia humana. A capacidade que alguns tem de se acharem melhores que outros e com isso, apontarem seus dedos podres para o alvo escolhido. A crítica sempre vale pro próximo, nunca pra si mesmo.

Mas uma coisa já conclui. Esses que apontam, esses mesmos, os que mais criticam, são os que menos fazem, são os que menos tem algo de bom, são visivelmente, os que tem realmente algo a ser criticado.

Essa incapacidade humana de refletir, de fazer um balanço das próprias atitudes... Na verdade não falta a tal capacidade. Falta mesmo é discernimento e honestidade para assumir suas falhas. Com isso, é muito mais confortável jogar no outro suas frustrações, seus erros. Pelo menos assim, sentem-se um pouco mais leve na jornada da vida, porque não carregam os pesos dos seus atos. Jogam a cruz sempre para o outro. E como se não bastasse, ainda o crucificam.

Foi assim há 2.000 anos atrás. É assim ainda hoje.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sina, sinais


Quisera eu entender o que queriam dizer aqueles sinais. Sim, porque eles indicavam uma direção. A sua direção. À sua direção eles iam. Mas eis que de repente nada. Do nada já não havia mais sinais. Não havia mais aqueles mesmos sinais que outrora indicavam o sim. Porque ainda há sinais. Há outros sinais. E estes, diferentemente daqueles, não vão à sua direção. Não mais.



Ilustração de irisz agocs

terça-feira, 2 de junho de 2009

AI-5 Digital

Acho de suma importância o assunto, portanto, porei aqui o link que leva ao site O Biscoito Fino e a Massa, do Idelber Avelar:


Lá poderão se informar melhor sobre o encontro para a discussão do AI-5 Digital - "projeto do senador Azeredo, que quer censurar e criminalizar os usuários de internet".

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sublime...

Lendo o texto de Afonso Romano de Sant'Anna, no caderno Cultura do Estado de Minas, do dia 31 de Maio de 2009, onde relata sobre um documentário que assitiu - O Equilibrista, de James Mash - dá a definição de sublime e quero po-la aqui, já que o último post foi sobre cinema onde também fiz associações adjetivas:

"É desconcertante e sublime constatar que o ser humano pode deixar uma mensagem de paz e de beleza onde outros deixam a cicatriz do horror. E, assim, saio também do cinema com essa sensação de que o sublime não existe apenas em contraposição ao trágico. O sublime é o que eleva, arrebata e nos transcende acima das cinzas deixadas no chão." (In: O Equilibrista dentro de nós)